domingo, 29 de março de 2009

Questões sobre o primeiro capítulo do livro: Elementos de Economia Política – J. Petrelli Gastaldi - “NOÇÕES GERAIS”

1 – Explique a distinção da economia política como ciência e como arte.

Com a expansão dos mercados na era mercantilista e o surgimento dos Estados Absolutos, à economia acresceu-se o qualificativo política, significando que a riqueza também é comum ao Estado, na sua formação e distribuição. Com isso a economia deixou de ser restrita ao estudo da produção de bens e serviços e passou a objetivar, também, a circulação, repartição e consumo das riquezas, apresentando-se como economia política pura ou como economia política social.
Como economia política pura, assume postura de ciência exata, voltada para o estudo das relações econômicas, sem a preocupação de julgá-las à luz da moral ou da sua face prática. Ao se apresentar na forma de economia política social, estuda as relações que são formadas entre os homens, sob as formas de associação, legislação ou instituições diversas, com a preocupação de ampliá-las ou aperfeiçoá-las. Dessas duas ordens de estudo da economia pura e da economia social nasce a simbiose entre ciência econômica e arte econômica. Como ciência, investigando as relações presentes entre fatos econômicos; e, como arte econômica, voltada à aplicação prática das leis formadas para a ampliação da riqueza social, por meio de melhores e mais aperfeiçoados métodos e processos.
É importante ainda destacar que como ciência, a economia indaga sobre as condições e causas da riqueza dos indivíduos e da sociedade. Como arte, indaga sobre os meios e modos para aumentar o potencial da riqueza individual ou privada e da pública, com a elaboração das normas e diretivas traduzidas na política salarial, de comércio exterior, de política tributária, de habitação ou de previdência, estabelecendo suas regras normativas.

2 – A economia é ciência social ou natural?

A essência social da economia como ciência na visão do economista Carlos Gide, “trata-se das relações do homem em sociedade, que conduzem à satisfação de suas necessidades, ao seu bem-estar, e dependem da posse de objetos materiais”.
Outra corrente de autores ressalta que a economia enfatiza os padrões sociais, criados para permitir que os grupos trabalhem reunidos e que, pela cooperação consciente ou inconsciente, contribuam para a satisfação das necessidades mútuas. O que mais interessa não são as relações individuais, mas o modo como as atividades econômicas agrupadas se ajustam dentro da organização social. A essa organização social dá-se o nome de sistema econômico.
Cabe ainda destacar que a sociabilidade, uma das principais características da economia, mereceu endosso da antropologia, a descrever as etapas evolutivas da humanidade. A força propulsora dessa evolução provém das necessidades humanas, originariamente naturais ou fisiológicas, ponto de partida para a atividade econômica, pois as mútuas necessidades impeliram o homem à associação e à vida em grupo. O grande passo para o homem ultrapassar o estado selvagem, revestindo-se das roupagens de animal econômico, foi quando passou a ter a preocupação pela provisão, reservando parte de seus ganhos para satisfazer necessidades mais mediatas ou para utilização em permutas de bens naturais e serviços.
Diante do exposto é razoável admitir que a economia seja uma ciência social.
3 – Qual o objetivo último da atividade econômica?

Entende-se por atividade econômica a aplicação do esforço humano (trabalho), visando obter, por meio de bens ou de serviços, a satisfação das necessidades. O objetivo final da atividade econômica é o de possibilitar os meios para que as necessidades sejam satisfeitas.

4 – Quais as diferentes denominações propostas para a ciência econômica?

Inúmeras denominações têm sido sugeridas para a economia. Prepondera, ainda, a expressão economia política, já proposta por Aristóteles e revivida por Montchrétien, em 1615. Dentre as denominações propostas podemos citar: catalítica, ou ciência das trocas; plutologia, ou ciência da riqueza. Gide entendeu ser melhor, como terminologia, o vocábulo economia ou econômica. Outros sugeriram as expressões economia social, ciência das permutas, ciência do útil, crematística ou ciência da moeda, ciência do valor, etc.

5 – A economia é ciência do valor? Dê as razões.

Sim. A economia como ciência formuladora das leis decorrentes de relações presentes entre fenômenos e fatos econômicos passa a indagar sobre os modos de melhor produzir coisas úteis ou riquezas, adquiri-las, conservá-las, transmiti-las ou permutá-las por outras, ao mesmo tempo em que dita as regras e normas para sua ótima utilização.
Não basta, pois, apenas estudar os processos ou técnicas de produção de coisas úteis, mas indagar sobre o conteúdo de seu valor econômico, apto a satisfazer desejos humanos. E o valor econômico, traduzido pela utilidade das riquezas produzidas, somente pode ser avaliado ou medido quando as riquezas são encaminhadas para trocas recíprocas ou para o mercado de oferta e procura. Nesse momento surge o principal fator a caracterizar a riqueza produzida como verdadeiramente econômica, ou seja, sua condição de ser permutada por outras riquezas também criadas.
O instrumento de medida dos valores recíprocos, nas trocas, foi representado nas economias primitivas pelos bens considerados mais valiosos em cada época e em cada sociedade, e modernamente é representado pela moeda, instrumento facilitador das trocas.
Conclui-se, pois, que os bens ou riquezas devem ser originariamente produzidos; em fase subseqüente, passam a circular no mercado de oferta e procura, quando são colocados à disposição do consumidor; em seguida, as riquezas e os serviços são encaminhados ao consumo, e em etapa final do processo econômico vem a fase de repartição ou distribuição do valor social dos produtos entre os agentes que contribuíram para o processo produtivo. Nasce dessa constatação a divisão das atividades econômicas nas quatro partes da economia: produção, circulação, consumo e repartição das riquezas. Daí a definição muito usual de economia como sendo a ciência que trata das leis que governam a produção, a circulação, a distribuição e o consumo de riquezas. Definição que não se limita apenas às relações derivadas das necessidades humanas, mas que assume um sentido amplo, voltado para a própria dinâmica econômica.

6 – Quais as leis econômicas primárias?

A vida econômica, pois, fundamenta-se em necessidades, esforços, satisfações e, principalmente, no interesse pessoal. Deste último elemento se originam as leis econômicas primárias, quais sejam, as leis do trabalho, do proveito e do menor esforço. Verifica-se, assim, o entrelaçamento entre a necessidade, o trabalho e a satisfação, propondo-se a ciência econômica a estabelecer um sistema de leis que regem essa constante atividade econômica.

7 – Qual o significado de ambiente e de curso econômico?

Sendo a atividade econômica um conjunto de esforços que os seres humanos desenvolvem para satisfazer suas necessidades de bens escassos e serviços, ela está ligada, no seu desenvolvimento, a certos fatores básicos que a dirigem e controlam.
Tais elementos, ou fatores, como os bens, as utilidades e as riquezas, em seu conjunto, representam o ambiente econômico; as formas particulares porventura assumidas pela atividade econômica, como os recursos disponíveis, a tecnologia, os instrumentos facilitadores dessa transformação e a satisfação das necessidades, compõem o denominado curso econômico.

8 – Quando surgiu a denominação economia política? Quais as razões dessa denominação?

A expressão economia política, embora já proposta por Aristóteles no séc. IV a.C, surge efetivamente no século XVII, mais especificamente em 1615, no tratado de economia política, de Antoine Montchrétien, na França.
A partir do século XVI, com a expansão de mercados até então obedientes às normas restritivas do feudalismo em relação ao consumo e à produção, ocorreu sensível ampliação na produção de bens e prestação de serviços. O capitalismo nascia sob a modalidade comercial. Multiplicavam-se as relações e o intercâmbio comercial entre os povos. Novas profissões surgiam, acentuando-se a divisão do trabalho.
A partir do século XVII, estruturava-se a economia moderna, com a navegação de longo curso, novas técnicas de produção, aperfeiçoamento dos títulos de crédito e surgimento de estabelecimentos bancários de alcance e jurisdição continental e mundial, a financiar as grandes companhias de exploração de terras recém-descobertas. Paralelamente, multiplicavam-se as vias de transporte terrestre e as trocas internas.
Nascia uma nova economia, a substituir aquela até então restrita às organizações feudais, como as baronias e os ducados, ainda caracterizada pela economia familiar e artesanal e pelo número reduzido de profissões. A partir de então a economia passou a revestir-se de roupagens de ciência da administração do Estado e da nação recebendo, o qualificativo: política. Pela primeira vez passou a se denominar economia política e a ser reconhecida como auxiliar à arte de governar.

9 – Cite alguns exemplos de fatos econômicos.

Fatos econômicos são os fatos sociais relacionados com a economia. Podemos citar como exemplos de fatos econômicos: o trabalho, o salário, a troca, o preço, a moeda, etc.

10 – Existem leis naturais em economia? Explique.

As leis econômicas decorrem de fatos econômicos, os quais, por sua vez, são resultantes de ações humanas. Podem existir e de fato existem leis naturais de ordem econômica; tais leis, porém, não são puramente providenciais ou meramente físicas, como pretendiam os fisiocratas. Nelas prepondera o seu conteúdo moral e social, pois o fato econômico, conforme observação de Croce, é fato espiritual e de valor. Os objetos e os bens econômicos não passam de matéria bruta do ato econômico. Como ocorre com a ciência econômica, que é um misto de natural e cultural, também o fato econômico tem esse caráter dúplice. Os fatos naturais, que se verificam na ordem da matéria, são evidentemente axiomáticos, inflexíveis e inexoráveis; o mesmo não ocorre com os fatos culturais, os quais já existem em função do homem e não da matéria; estão menos sujeitos ao determinismo, podendo ser modificados em seus efeitos ou contornados pelo livre-arbítrio humano. As leis econômicas não passam de indicações de tendências, não podendo ser, desse modo, traduzidas em fórmulas matemáticas perfeitas ou definitivas.

11 – Os fenômenos e as leis econômicas podem ser objetos de experimentação?

Sim. Todos os fatos e fenômenos diretamente relacionados com a atividade econômica do homem, quais sejam, os relativos à riqueza em sua produção, distribuição, consumo e repartição, constituem o arcabouço da ciência econômica. Observar, descrever e registrar fatos e fenômenos econômicos, procurando estabelecer entre eles as relações constantes ou leis econômicas, é finalidade própria da economia política.

12 – Indique algumas formas e espécies de economia.

- Política econômica (teórica ou pura, aplicada ou prática e social).
- Transformativa (estática, dinâmica, individual, coletiva, publica e produtiva).
- De Consumo (Consuntiva, privada, nacional, internacional, monetária, livre, dirigida, etc.).

13 – Qual a distinção entre economia pura e economia aplicada?

A economia poderá ser teórica ou pura, quando se interessa apenas pela fenomenologia econômica. O seu objeto é o estudo das relações econômicas que se estabeleceriam espontaneamente numa sociedade ideal ou hipotética. O fim último da economia pura é, com efeito, estudar as condições em que se realizará o equilíbrio econômico. Será economia aplicada ou prática quando procurar transferir os conhecimentos científicos para a observação das fases do processo econômico.
É natural que os fatos econômicos possam ser estudados em si mesmos, tais como se processam, espontaneamente, na sociedade, ou como meios para atingir determinados fins. Daí Theobaldo Miranda Santos afirmar: “É, portanto, legítima a existência de uma economia pura, que examina os fatos econômicos como são, e de uma economia aplicada, que estuda os fatos econômicos como devem ser. Neste caso a economia se torna uma ciência normativa ou prática, subordinada à moral”.

14 – Que se entende por economia social ou política econômica?

Denomina-se economia social ou política econômica quando pretende traçar rumos para a aplicação de leis para obter não apenas fins econômicos, mas, de molde a modificar, se preciso, a estrutura econômica e jurídica do meio social onde os fatos e fenômenos operam.

15 – Qual o significado de tecnologia?

Tecnologia ou Ciência Aplicada significa converter as leis gerais em métodos de domar as forças da natureza, para delas extrair energia e trabalho, e em processos de transformação das matérias-primas, convertendo-as em bens econômico-primas, convertendo-as em bens econssos de transformaçnsam, espontaneamente, na sociedade, ou como meios para atingir detes.

16 – Qual o método científico de pesquisa?

A ciência econômica emprega o mesmo método científico de pesquisa, comum a todas as ciências: observação objetiva dos fenômenos, análise das observações, formulação de hipóteses, verificação experimental dessas hipóteses e dedução de novas conseqüências para efeitos de previsão.

17 – Quais são os significados de know-how e mind-power?

Know-how ou técnica industrial preocupa-se com a maneira de produzir eficientemente peças, obras e serviços, que constituem os alimentos indispensáveis ao metabolismo da atividade humana, utilizando para tanto os recursos naturais (bens de capital, força de trabalho, insumos). Entende-se por mind-power os recursos tecnológicos disponíveis.



Abraços.

4 comentários:

  1. Muito legal essas questões. seriu bastante para meus estudos. Obrigado!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Olá. Pelo que estudei, na questão número nove tem um pequeno erro. Na hora de dar exemplos de fatos econômicos, você incluiu o Trabalho. Está errado, porque é través do Trabalho (fenômeno) que são gerados fatos. Por exemplo, um pescador ao pescar (fenômeno), ele utiliza ferramentas (fato)que são: o anzol, a vara, o barco...e, até mesmo o próprio peixe.O fenômeno econômico é o esforço humano com o finalidade de suprir suas necessidades, já o fato econômico que é a conseqüência do fenômeno econômico.Ambos então Inter-ligados e não unidos sendo um só.
    Espero ser proveitoso este comentário. :)

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  4. Me ajudou muito, pois irei fazer o concurso este ano para Tecnólogo em Agronegócio.

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